Articles for Maio 2007

Isso que é iniciativa para a 3a idade!

Huang Di (黃帝), o famoso Imperador Amarelo, sábio imperador taoísta que escreveu o primeiro tratado sobre saúde da história da humanidade, o Huang Di Nei Jing, compilando os conhecimentos da Medicina Chinesa, que são a nossa base clínica até hoje, já dizia que envelhecer não é fácil. Todos os seres tem a preferência pelo Yang, ou seja, a energia da atividade, da exteriorização, do crescimento. Entrar numa época da vida onde essa energia declina, e na verdade, toda a energia do corpo declina, visto que a nossa Essência (Jing), que nos mantém vivos e é a fonte de todas as nossas funções vitais também se esvai, realmente é difícil. Não é por menos que no Movimento do Metal, na visão filófica taoísta, que representa justamente o momento do declínio da nossa energia, temos como emoção correspondente a Tristeza.

A Medicina Chinesa tem efeitos muito significativos nos tratamentos mais freqüentes das doenças características dessa faixa etária. A Acupuntura e a Fitoterapia promovem a diminuição do ritmo da perda da Essência (Jing) e do declínio do Yang. O Tui Na melhora a saúde dos músculos, tendões e articulações, além de promover a melhor circulação de energia, visto que nesta idade o sedentarismo é um dos principais fatores de formação de patologias.

Agora, certamente nada é melhor do que a iniciativa de Tim Samuels, autor de um documentário que tenta chamar a atenção para o drama de milhões de aposentados britânicos que vivem hoje solitários e abandonados.

São 3,5 milhões de idosos vivendo sozinhos e meio milhão morando em asilos. “Eu quis fazer um documentário que mostrasse como nós tratamos os nossos idosos neste país”, disse Samuels. “Se você fosse julgasse uma sociedade pela forma como ela trata seus idosos, estaríamos em apuros”, acrescentou.

Mas Samuels não queria apenas mostrar os idosos como vítimas.

“A idéia era mostrar como são marginalizados mas também fazer algo que os ajudasse a reagir.” “Queríamos colocá-los de volta no centro da sociedade. E existe maneira melhor de conseguir isso do que estourar na parada pop?”

Samuels viajou pela Inglaterra procurando idosos que quisessem gravar um single. Segundo ele, a maioria achou a idéia meio ridícula, mas resolveu aceitar.

Alguns já tinham até ouvido “My Generation”, do The Who.

Formada a banda The Zimmers, Samuels pediu a ajuda de gente da indústria da música. Mike Hedges, produtor do U2, Dido e The Cure, aceitou produzir o single. Neil Reed, da gravadora X-Phonics, concordou em lançá-lo. E Geoff Wonfor, diretor do vídeo do Band Aid, resolveu fazer o clipe. Para a gravação, Samuels conseguiu nada mais, nada menos, do que o lendário estúdio Abbey Road, onde os Beatles gravaram.

No dia da gravação, ninguém sabia direito o que ia acontecer. Até que Alf, de 90 anos, pegou o microfone e começou a cantar a letra de “My Generation”: “I hope I die before I get old” (espero que eu morra antes de ficar velho).

Samuels disse que nesse momento percebeu que algo muito especial estava acontecendo. O single provocou uma resposta internacional. “É um fenômeno universal”, diz Samuels. “Toda sociedade se preocupa com a forma como os idosos são tratados e se comove ao ver um grupo deles se juntar, bem no estilo rock’n’roll, para se fazer ouvir.”

“Com sorte (a experiência) vai questionar alguns preconceitos sobre os idosos.” Além de Alf, outros integrantes do grupo são Buster, de 100 anos. E Winnie, de 99. “Estou me divertindo muito”, diz Winnie, apoiada em uma bengala. “Eu nasci de novo”, diz Alf. “Eu tinha 90 anos e estava preso em uma rotina. Agora sinto que estou vivendo novamente.”

A banda britânica integrada por 40 pessoas, todas com mais de 90 anos de idade, está causando sensação na Internet. Poucas semanas após ser gravado, o vídeo do grupo recebeu mais de dois milhões de hits no YouTube, tornando-se o campeão de visitas do site.

p.s. 1: obrigado a Luciana Ribeiro pela indicação do vídeo.
p.s. 2: informações sobre o documentário extraídas do portal de Música do UOL.

Turma de Formação em Tui Na no CEIFATO

Na foto acima temos nossa turma de Formação em Tui Na no CIEFATO. Da esquerda para direita: Helena (professora), Ayrton, Edgar (professor), Rozana, Silvia e Alexandre. Ainda temos outro Alexandre na turma que não estava presente nesta última aula. Para quem não conhece o Tui Na abaixo segue um texto explicativo que a partir de hoje fará parte do conteúdo fixo do blog, podendo ser acessado pelo link no canto superior esquerdo.

O que é Tui Na?

O Tui Na (推拿) é uma arte terapêutica manual, com propriedades tanto preventivas quanto curativas. É a massoterapia clássica chinesa. Através das variadas técnicas, o terapeuta promove a saúde do paciente manipulando seu Qi (energia), seu sistema músculo-esquelético, seu sistema linfático e até seu sistema nervoso.

Seu nome é originado de duas das suas dezenas de técnicas: Tui, que significa “empurrar” e Na, que por sua vez pode ser traduzido como “agarrar” ou “pegar”. Hoje o nome Tui Na é entendido simplesmente como sinônimo de massagem em toda a China.

O primeiro nome da massagem chinesa foi An Shao. Depois passou para Ma Sha. Quando as técnicas foram para o oriente medi neste período, mais precisamente onde hoje é o Irã, é que esse nome chinês deu origem ao nome ocidental de massagem. Posteriormente a denominação passou para An Mo, para finalmente denominar-se Tui Na (推拿).

O Tui Na possui um número riquíssimo de técnicas, das quais se derivam toda as outras escolas de massagem orientais. A aplicação de todas as técnicas seguem os mesmos princípios teóricos das outras ferramentas da Medicina Chinesa, como a Acupuntura e a Fitoterapia.

Na prática cada técnica bem executada realiza um efeito sobre a região do corpo onde está sendo realizada, que podem ser agrupados genericamente em: efeitos de tonificação, ou seja, aumento de energia no local, no ponto energético ou no canal de energia, ou de sedação, ou seja, dispersão da energia do local, do ponto ou do canal. Na foto vemos a professora Helena demonstrando a técnica de Yao Fa (rotação) na articulação do pescoço.

Dentre todas as ferramentas de cura da Medicina Chinesa, o Tui Na é muito reverenciado pela simplicidade de recursos necessários para a sua aplicação. Onde houver uma pessoas enferma e um praticante de Tui Na, isso basta para que um tratamento seja realizado, enquanto que na Acupuntura, por exemplo, precisaríamos também de algum tipo de agulha. Dessa forma, os mestres Taoístas valorizavam a propagação dos conhecimentos da massagem para auxiliar na cura e na prevenção de doenças de toda a população.

I Congresso de Medicina Chinesa e Acupuntura da AMECA

A AMECA (Associação de Medicina Chinesa e Acupuntura do Brasil) é a representante oficial no Brasil da WFAS (Federação Mundial de Acupuntura e Moxabustão), pela qual recebemos os nossos títulos de Acupuncture Doctors. A instituição realizará em Julho um primeiro grande congresso de MTC no Brasil, reunindo os grandes nomes da Acupuntura no Brasil, especialmente de São Paulo, como o nosso Mestre Liu Chih Ming (veja entrevista abaixo), Fang Liu (presidente da AMECA), Reginaldo Carvalho Silva Filho (presidente do CEIFATO, onde lecionamos), Tadamassa Yamada (presidente da EOMA, escolha onde nos formamos em nível técnico em massoterapia), Ernesto Garcia, Valéria Kim, entre outros grandes nomes.

O evento será realizado dias 13, 14 e 15, sendo que no dia 13 serão ministrados mini-cursos com esses grandes professores.

Para maiores informações: ameca@ameca.com.br e 6422-2833 / 9600-8884.

Benefícios rápidos na Acupuntura – Um caso de cefaléia e sinusite

É uma visão muito comum de que a Medicina Chinesa, especialmente a Acupuntura, sua vertente mais conhecida, se caracteriza por tratamentos globais, reequilibrando todo a saúde do indivíduo, e que, por isso, são tratamentos longos, com os resultados surgindo gradativamente.

Isso é uma verdade. Mas não é única forma de tratamento pela Acupuntura. Nosso mestre, Liu Chih Ming, diz que em alguns casos temos de “salvar vida do paciente”, referindo-se a casos emergenciais.

Essa semana chegou em nosso consultório uma jovem de 35 anos com um quadro de dor na face, na cabeça, no pescoço, nos ombros, irradiando para o braço direito, que já vinha há mais de um ano, num grau quase insuportável, prejudicando seu sono, seu trabalho, seu humor. Ano passado ela havia sido diognosticada com sinusite. Passou todo esse período tomando Dipirona intra-venosa nas crises, quando ia ao pronto-socorro hospitalar. Diariamente tomava Nelsaldina ou Saridon, mas que não apresentavam mais nenhum alívio para o seu quadro.

Percebemos que se tratava desse tipo de caso quando a crise é mais importante que o quadro geral, e que ela precisava de um tratamento focado. O nosso diagnóstico foi um Deficiência na circulação de Qi (energia) na cabeça, devido a uma Estagnação na região dorsal (verificada pela técnica de Kwa Sha e pela palpação)e uma Deficiência de Qi (verificada pelos sintomas de cansaço e pela análise da Língua e do Pulso – métodos de diagnóstico da MTC).

Fizemos então uma aplicação combinando Kwa Sha, Sangria, Ventosa, Acupuntura sistêmica e moxa.

Quatro dias após essa aplicação ela retornou já sem nenhuma dor dorsal, no pescoço e no braço e praticamente nenhuma na face e na cabeça. Estava tão aliviada que nos perguntou se havia injetado alguma medicação especial na inserção das agulhas (para quem não sabe, nada é injetado na aplicação de uma agulha de Acupuntura).

Agora ela irá realizar um tratamento completo, de provavelmente 10 sessões para resolver totalmente o quadro e tratar outras questões de saúde.

Esse caso foi um bom exemplo de como a Medicina Tradicional Chinesa pode proporcionar benefícios rápidos e importantes, mesmo com somente uma aplicação.

O que é a Medicina Tradicional Chinesa?

A primeira parte do nosso conteúdo informativo para leigos está pronto. O link de O que é a Medicina Chinesa? já está completo. Se você tem alguma dúvida, escreva para gente. Ela pode aparecer como mais uma página explicativa do nosso blog. Em breve os textos sobre a Acupuntura, Tui Na, Fitoterapia e Qi Gong estarão prontos. Você poderá acessar todo esse conteúdo pelo menu do canto superior esquerdo aqui do blog.

Entrevista Mestre Liu Chih Ming

O terapeuta e a tradição taoísta

Um dos principais expoentes da medicina tradicional chinesa em nosso País, Liu Chih Ming é filho do grande mestre taoísta Liu Pai Lin e vice-presidente mundial pela Federação Mundial de Acupuntura e Moxabustão. Nesta entrevista, ele discute questões relativas à prática da acupuntura e à formação do terapeuta, sempre inspirado na ótica taoísta.

Qual sua visão sobre a ligação entre Taoísmo e acupuntura? Hoje em dia, com a abordagem médica, muita gente quer tornar a acupuntura uma técnica muito “científica”…
A acupuntura tem origem na China e origem no Taoísmo. Porque Taoísmo? Porque é a origem do Imperador Amarelo, que pode ser visto como um fundador do taoísmo e da acupuntura. Pela história, temos certeza de que a acupuntura começou com os taoístas. Segunda coisa: o taoísta tem suas próprias teorias, como a do yin/yang, a dos cinco elementos e, o mais importante, a teoria de canais energéticos. Isso significa o fundamento da acupuntura. Por isso todo mundo, quando quer aprender a verdadeira acupuntura, a essência da acupuntura tradicional chinesa, precisa conhecer o Taoísmo. Muitas pessoas hoje em dia, quando aprendem acupuntura, não estudam mais a teoria yin/yang ou a dos cinco elementos, então acabam perdendo muita coisa importantíssima – inclusive essa própria essência da acupuntura.

E de que forma isso pode interferir no trabalho do acupunturista?
Por exemplo, quando não conhece os cinco elementos, como você pode aprender técnicas avançadas, como a dos pontos de Shu Antigos, que se refere aos cinco pontos que pertencem acesso aos cinco elementos da natureza? Se você nega essa teoria, então não vai conseguir aprender esse tipo de técnica. Agora, há muitos acupunturistas que estão dizendo que aplicam as agulhas pelo método científico – isso acontece no mundo inteiro –, mas parece que no fundo querem é aprender acupuntura mais rápido, tipo “express”. Mas se você faz uso da acupuntura fora da visão da energia, fora dos cinco elementos, fora do yin/yang, não tem relação com a essência dos Antigos. Chamam de “acupuntura moderna”, mas não tem mais nada a ver com a tradicional. Porém felizmente ainda muitos pegam a base, sabem que existe a energia vital. De outra forma, não haveria nem mesmo a percepção da energia vital, mas apenas eletricidade, magnetismo, aparelhos. O terapeuta assim tem que confiar em aparelhos e não mais em uma energia mais delicada, mais profunda, mais humana. Essa energia não dá para pegar com bateria, com aparelho eletrônico.

Qual a sua opinião, então, sobre o uso dos aparelhos eletrônicos, como lasers, eletroacupuntura, etc?
Cada coisa tem seu próprio valor, portanto eu não gostaria de falar que isso é bom ou é ruim. Mas é importante que eu deixe claro que prefiro o modo natural. Em minha clínica não utilizo laser, por exemplo. O natural me parece o melhor tratamento, pois é sempre gradual, nunca forte nem rápido. Ao invés do laser, usamos a energia do paciente e do Universo.

E sobre a questão dos médicos, que durante muito tempo rejeitaram a acupuntura, rotulada de anticientífica, e que agora querem restringir o direito de aplicação das agulhas, no Brasil, apenas a quem é formado nas faculdades de medicina?
Esta pergunta eu prefiro não responder.

Segundo a visão taoísta, o terapeuta tem que cuidar de sua própria energia?
Isso é muito importante! Você precisa exercitar, ter seu próprio treinamento. De manhã deve praticar Tai Chi Chuan ou Chi Kung, tem que treinar os seis sons, para eliminar problemas do corpo e captar energia da natureza. Periodicamente você precisa ir a um lugar onde exista bastante energia. Quando recebe mais energia, tem mais poder para ajudar os outros. Outro fator importante é cuidar bem da alimentação. A qualidade de atendimento tem que ser olhada, pois é isso que garante seu ótimo resultado. O terapeuta não pode ir simplesmente tratando todos os clientes que chegam. Tem que definir um limite, porque isso também contribui para a qualidade do resultado.

Então tem que haver um controle no número de atendimentos, para manter a “bateria” do terapeuta sempre forte?
Sim, porque você vai gastando a sua energia e o outro vai recebendo. Como é possível você gastar sem limite? Não pode. Sua “bateria” se exaure e você tem que recarregar.

Pode-se dizer que as práticas de terapia despendem muita energia?
Despendem. Muita, mesmo. Qualquer terapeuta precisa partir desses princípios, pois sua energia está indo para outros, também.

Mas se o terapeuta não conhece ou pratica técnicas como o Tai Chi Chuan ou o Chi Kung, como ele deveria fazer?
Pode caminhar, por exemplo. Mesmo que não faça Tai Chi ou Chi Kung, caminhar também recarrega sua energia. Mesmo se vai para a praia, para a montanha, descansa, já é uma recarga. No mínimo, deve dormir bem!

Meditar é também um recurso importante para o terapeuta? E para o cliente?
Meditação é uma forma de prática que pode recuperar a energia do corpo humano, aumentando sua resistência. Ela tem a capacidade de nos relaxar totalmente, equilibrando o yin e o yang, o sangue e a energia vital – tanto do terapeuta como do paciente. A meditação pode também ajudar o espírito do terapeuta a ficar mais concentrado, promovendo a união entre ser humano, céu e terra. Desta forma ele pode aplicar sua intenção na terapia, atingindo resultados mais eficazes. Já para o paciente, a meditação ajudará bastante o corpo a melhor receber o tratamento. Portanto ambos os lados se beneficiam das práticas meditativas, harmonizando a essência, a energia e o espírito – segredos taoístas para se atingir saúde e serenidade.

Que outros conselhos ou dicas daria aos terapeutas?
A primeira coisa é que o terapeuta precisa cuidar de sua vida: alimentação, estilo de vida, evitar tomar friagem e vento, deixar tudo em equilíbrio, como um taoísta. Não abusar de sua energia, não gastar de forma desnecessária. A segunda coisa é manter nosso espírito centrado, não disperso, sempre conservando dentro do corpo essa luz do espírito, mantendo-a acesa, sem abusar nem gastar em demasia. Além disso, deve-se buscar também o equilíbrio de movimento e serenidade – isso significa que o terapeuta precisa praticar meditação e movimentos, como já vimos: Tai Chi, Chi Kung, ginástica, etc. Tudo isso é ótimo. E precisa sempre continuar estudando, sempre estudando. Sempre há algo para aprender. Sempre se aprofundar no Nei Ching, em Fitoterapia, em MTC, para aumentar nosso conhecimento. E finalmente, cuidar de seus pacientes como se fossem de sua própria família, com compaixão.

Fonte: GUIA LOTUS e revista Saúde e Longevidade