Fitoterapia

Rén Shēn (Ginseng)

Na história da evolução da Medicina Chinesa (中醫學), a Fitoterapia (中药) é a sua ramificação mais antiga, depois do Tui Na (推拿). Trata-se do uso de substâncias naturais, em sua maioria do reino vegetal, mas também do mineral e animal, com fins medicinais.

Praticamente todos os povos desenvolveram sua própria Fitoterapia nativa, como os índios brasileiros ou os egípcios. A fitoterapia chinesa é a mais vasta, complexa e antiga. Isso se deve ao seu contínuo e ininterrupto aperfeiçoamento desde tempos remotos até os dias de hoje. Huang Di (黃帝), o Imperador Amarelo, que reinou entre 2698 a.C. à 2599 a.C., e é o autor do 1º Tratado de MTC, o Nei Jing (内經), já discorria sobre a utilização de substâncias naturais para a manutenção e a recuperação da saúde do homem.

Há uma ligação muito importante entre o desenvolvimento da Fitoterapia chinesa e do Taoísmo. Uma das metas de vida de um taoísta sempre foi a saúde. Para isso, os mestres taoístas procuraram ao longo dos milênios formas de manter e recuperar a nossa saúde, assim como nos harmonizar com todos os aspectos da nossa vida, afim de prolongá-la e vivê-la de forma mais plena. Assim foram desenvolvidas as técnicas de Qi Gong, tratamentos de Acupuntura, ferramentas espirituais e também o “Caminho da Alquimia da Terra” como é chamada a Fitoterapia na tradição chinesa.

Atualmente, de todas as ramificações da Medicina Tradicional Chinesa, a Fitoterapia é a mais utilizada na China. Por outro lado no Brasil é a menos difundida, devido especialmente à dificuldade na obtenção das ervas e substâncias de origem chinesa. Já existem muitas ervas adaptadas no Brasil. Assim como o estudo de ervas nativas brasileiras, segundo à visão da MTC. Mas ainda os principais compostos dependem de substâncias tipicamente chinesas, devido ao seu tempo de estudo e experimentação. Mas isso vem melhorando nas últimas décadas, com mestres chineses difundindo a experiências na utilização dessas substâncias, como o nosso mestre Liu Chih Ming e também o acesso um pouco mais fácil dos materiais por farmácias e lojas especializadas, localizadas no bairro da Liberdade, em São Paulo.

O uso da Fitoterapia clinicamente é o que requer maiores estudos e cuidados por parte do terapeuta. Isso porque as substâncias serão ingeridas e terão sua ação diretamente nos órgãos vitais do paciente, diferentemente da Acupuntura, Tui Na e Qi Gong, que tem sua ação na superfície do corpo, mobilizando indiretamente, através dos canais de energia, os Órgãos e Vísceras (Zang Fu) do indivíduo.

Por outro lado a Fitoterapia permite uma velocidade e uma abrangências nos resultados terapêuticos maior do que todas as outras formas terapêuticas, conseguindo tratar patologias consideradas difíceis tanto pelo Acupuntura, tanto quanto pela medicina alopática.

É importante sempre consultar um Fitoterapeuta antes de tomar qualquer composto ou chá, mesmo que seja uma chá considerado “comum” pois ele pode proporcionar efeitos não desejados. Uma pessoa, por exemplo, com um padrão característico da MTC, chamado “Ascensão do Fogo do Fígado”, com sintomas como hipertensão arterial, dor de cabeça, insônia, irritabilidade, dor na região do hipocôndrio, não pode tomar compostos com alguns tipos de ginseng, especialmente os vermelhos, provenientes da China e da Coréia, pois piorarão seu quadro.

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