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O que são os pontos de energia?

Todos que já ouviram falar da Acupuntura sabem que a aplicação das agulhas é feita em pontos específicos do corpo. Mas, afinal, o que são e como funcionam exatamente esses pontos? Os pontos de energia são chamados em chinês de Xué ( 穴 ), que significa literalmente “buraco”. O termo buraco tem dois significados: o primeiro, mais simples e prático, aponta para o fato de que a imensa maioria desses pontos se encontra em fossas, cavidades, espaços da nossa anatomia, onde a agulha não encontrará nenhum osso, tendão, ligamento ou outro tecido importante ao ser inserida.

O segundo significado, mais profundo, quer dizer que esse “buraco” nos dá acesso ao fluxo de Qì (Energia – 氣) que corre pelos Canais (Jīng -經). Esse é um tipo específico de Qì (Energia – 氣) chamado de Ying Qì (Energia Nutritiva). É ele quem tem a função de impulsionar e direcionar o fluxo do Sangue (Xuè -血) e de conectar todas as partes de nosso corpo, especialmente os Órgãos e Vísceras (Zàng Fǔ -臟 腑), com o exterior do nosso corpo.

É através dessa conexão interior–exterior que pode haver a influência de uma manipulação feita no Canal (Jīng -經) no funcionamento de um Órgão ou Víscera. Essa manipulação pode ser feita em qualquer trecho do canal, mas é muito mais fácil de se obter resultado se feita num desses pontos.

Mas qual a diferença entre um ponto e outro? O aprofundamento da Medicina Chinesa no estudo da nossa fisiologia energética chegou a tal ponto de refinamento que hoje sabemos que os pontos não nos dão somente acesso ao Qì (Energia -氣) que corre nos Canais (Jīng -經), mas também nos permitem manipulações específicas desse Qì (Energia – 氣). Determinado ponto permite ao terapeuta que aumente as funções de determinado Órgão (Zàng -臟). Outro ponto do mesmo Canal (Jīng -經) permite que se retire algum tipo de hiperatividade daquele Órgão (Zàng -臟). Já outro ponto pode proporcionar ao terapeuta acesso ao desbloqueio do Qì (Energia – 氣) daquele Canal (Jīng -經) na sua porção exterior, resolvendo casos de dor, por exemplo.

É importante observar que o ponto em si nada faz. O que gera algum efeito local, exterior ou mesmo interior é a manipulação energética feita pelo terapeuta nesses “buracos”. Não basta “ativar” ou “estimular” o ponto, como dizem alguns terapeutas e até mesmo alguns professores. Mas sim que haja uma manipulação específica para se conseguir aumentar (tonificar) ou diminuir (sedar, dispersar) o fluxo de Qì (Energia – 氣) do ponto para que, assim, o efeito possa ser alcançado.

Entendendo esse princípio chegamos a outra questão fundamental: a agulha de acupuntura também nada faz sozinha. Não basta inserir uma agulha no ponto e esperar que o efeito seja alcançado. O que a agulha faz é potencializar e também facilitar o acesso do Qì (Energia – 氣) do terapeuta  ao fundo do “buraco”, onde corre o Qi Nutritivo (Ying Qi). O nosso corpo possui várias camadas de defesa que fazem com que nossa circulação de Qì (Energia – 氣) e Sangue (Xuè -血) não seja afetada facilmente por interferências externas. A agulha literalmente fura algumas dessas defesas permitindo que a manipulação do terapeuta seja facilmente mais profunda.

Mas também é possível manipular os pontos através da massagem, como é feito pela Massoterapia Chinesa Tui Na. Mas, para que essa manipulação consiga ser profunda o suficiente para atingir a profundidade energética do ponto, depende-se mais da força e do controle do Qì (Energia – 氣) do terapeuta. É necessário que a manipulação seja feita com mais concentração, intenção e por muito mais tempo que na Acupuntura. O grande mestre Liu Pai Lin, um dos precursores da Massoterapia Chinesa Tui Na e do Tai Chi Chuan (Tài Jí Quán – 太 极 拳) no Brasil, pai do nosso mestre Liu Chih Ming, conseguia efeitos fantásticos em seus tratamentos, muitas vezes até mais eficazes do que outros terapeutas que se utilizavam da Acupuntura, mesmo usando somente a massagem. Conseguia isso pois era também um dominador das práticas energéticas (Qì Gōng – 氣 功) e do próprio Tai Chi Chuan (Tài Jí Quán – 太 极 拳) e assim conseguia passar pelas camadas de defesa do paciente, acessando com eficácia e profundidades necessárias os pontos de energia.

Nas crianças, por sua vez, o Qi Nutritivo (Ying Qi) corre mais superficialmente e também há menos defesas, não é necessária a utilização da Acupuntura em praticamente nenhum dos casos pediátricos tratáveis pela Medicina Chinesa. Até por isso tivemos ao longo da história da Medicina Chinesa o desenvolvimento da Massagem Tui Na Pediátrica – Xiǎo Ér Tuī Na (小 兒 推 拿).

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