• Turma de Tui Na do EBRAMEC de 2009 formada

    Como sempre digo em aula e escrevo aqui no blog, a massoterapia é normalmente a porta de entrada dos terapeutas no caminho da Medicina Tradicional Chinesa. E deve ser assim mesmo, especialmente quando falamos do Tui Na, que é a massagem tradicional da MTC. Isso porque a formação em Tui Na tem por função o preparo técnico do terapeuta dentro da prática do Tui Na, mas também o início do preparo do terapeuta para o raciocínio diagnóstico e de tratamento da Medicina Chinesa.

    Sob esses dois aspectos, estou muitíssimo feliz com a turma que acabo de formar nesse último final de semana na Escola Brasileira de Medicina Chinesa. Toda a turma se formou num excelente nível, passando com ótimas notas na nossa exigente avaliação final, chegando com uma bagagem técnica muito boa, mas também com um nível surpreendente de maturidade no raciocínio da Medicina Chinesa, sendo capazes de realizar diagnósticos e traçar tratamentos que até mesmo a maior parte dos alunos e formandos em Acupuntura tem muita dificuldade.

    Ana, Cintia, Marlene, Paulo e Sergio: parabéns amigos! Helena e eu desejamo-lhes toda a sorte do mundo nesse caminho. Como lhes disse, entreguei os certificados para vocês com muito orgulho e tranquilidade de que vocês já são ótimos terapeutas!

    turma

    Parabéns também à Luciana, formada em Tui Na também no EBRAMEC em 2008 que, sendo monitora da turma de 2009, formou-se professora habilitada a ministrar o curso de formação em Tui Na. Parabéns Lu (que está agachada comigo na foto abaixo)! Boa sorte nesse novo caminho!

    turma_com_prof

    Abaixo vemos a turma tendo sua última aula do curso: Reflexologia Podal.

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  • Hexagrama Pequeno Acúmulo na aula do dia 06/10/09

    pequeno_excessoO Hexagrama Pequeno Acúmulo, composto pelos trigramas Trovão sobre o trigrama Montanha, é o próximo tema da nossa aula de hexagramas, no dia 10 de outubro. É o décimo segundo hexagrama pela ordenação matemática do Céu Anterior (Ku Yi).

    O estudo dos hexagramas do I Ching aprofunda em detalhes o nosso conhecimento sobre a lógica e a filosofia que baseiam, dentre outras artes e ciências, a teoria e a prática da Medicina Chinesa, estudando a fundo os processos naturais e suas transformações.

    Após ter realizado o curso de Fundamentos de I Ching (veja as próximas datas aqui) pode-se frequentar as aulas de hexagramas livremente, começando em qualquer ponto da ordenação dos hexagramas.

    A aula será terça-feira, dia 06/10/09, às 10hs. Lembrando que, como sempre, das 10hs às 11hs teremos a Oficina de Oráculo e após a oficina a aula do hexagrama da semana.

    Mais informações: (11) 9434-2611 / edgar@terapiaschinesas.com.br

  • Hexagrama Progresso Gradual na aula do dia 29/09/09

    arvore - montanha - progresso gradualO Hexagrama Progresso Gradual, composto pelos trigramas Vento (representa o simbolismo de uma árvore) sobre o trigrama Montanha, é o próximo tema da nossa aula de hexagramas, no dia 29 de setembro. É o décimo primeiro hexagrama pela ordenação matemática do Céu Anterior (Ku Yi).

    O estudo dos hexagramas do I Ching aprofunda em detalhes o nosso conhecimento sobre a lógica e a filosofia que baseiam, dentre outras artes e ciências, a teoria e a prática da Medicina Chinesa, estudando a fundo os processos naturais e suas transformações.

    Após ter realizado o curso de Fundamentos de I Ching (veja as próximas datas aqui) pode-se frequentar as aulas de hexagramas livremente, começando em qualquer ponto da ordenação dos hexagramas.

    A aula será terça-feira, dia 22/09/09, às 10hs. Lembrando que, como sempre, das 10hs às 11hs teremos a Oficina de Oráculo e após a oficina a aula do hexagrama da semana.

    Mais informações: (11) 9434-2611 / edgar@terapiaschinesas.com.br

  • Dor de estômago – origens e tratamentos pela Medicina Chinesa

    dor_estomagoComentar um pouco a respeito da dor epigástrica (dor na região do estômago) implica em se falar da nossa responsabilidade perante a própria saúde.

    Isto porque as dores epigástricas, tirando o fator hereditário, estão muito atreladas ao modo como experimentamos a vida, ou seja, o que colocamos para dentro, tanto em termos de alimentos quanto de emoções, e como os elaboramos, ou seja, de que maneira os recebemos, separamos o que é útil e proveitoso do que não é, e eliminamos o que nos é desnecessário.

    Obviamente, em se tratando da vida, muitas das experiências estão além das nossas escolhas, mas a retenção de determinadas emoções ou o desapego a elas depende exclusivamente de um treino da consciência.

    Ansiedade e preocupação, por exemplo, afetam diretamente o Baço e provocam estagnação de energia e alimentos no Estômago. A raiva, a mágoa e a frustração, bloqueiam a circulação da energia do Fígado (se forem reprimidas) ou provocam o aumento excessivo dela (se forem manifestadas). Em ambos os casos, esse desequilíbrio danifica o Estômago e atrapalha a digestão, visto que o Fígado, segundo a Medicina Tradicional Chinesa, é o responsável pelo direcionamento correto da energia que promove o amadurecimento do bolo alimentar no Estômago e o transporte dos alimentos e fluidos pelo Baço.

    Tal desordem provoca uma das síndromes mais comuns do aparelho digestório que é do Qi (energia) do Fígado invadindo o Estômago, cujos sintomas são distensão e dor na região epigástrica que se irradia para o hipocôndrio (parte alta das costelas), irritabilidade, suspiros e sensação desconfortável de fome, claramente atrelados a tensão emocional.

    Esse padrão é um dos mais simples de se tratar pela Acupuntura, bastando acalmar as emoções e aliviar a invasão do Estômago pelo Fígado, com o uso de pontos tais como F14, PC6, E21, VB34, VC12 e E36.

    No entanto outros desequilíbrios podem ser mais complexos para se tratar, especialmente se forem mais crônicos, e atingirem pessoas idosas ou se estiverem associados com maus hábitos alimentares além dos emocionais.

    Neste segundo caso, essa combinação pode formar o que se denomina Mucosidade-Calor, que se constitui uma energia perversa que pode provocar sensação de opressão na região epigástrica, boca seca, muco nas fezes, náusea, vômito e inquietação mental.

    Ela envolve o consumo excessivo de condimentos, carne vermelha, álcool, açúcar, frituras e laticínios.

    É importante lembrar que este fator patogênico também pode prejudicar diretamente o Fígado e lentificar a excreção da bile pela Vesícula Biliar. Tal ocorrência propicia a formação de cálculos biliares e sua manifestação pode ser facilmente confundida com um quadro de gastrite, já que seu desconforto pode se refletir na área do epigástrio.

    Por isso recomendamos o acompanhamento médico ocidental em concomitância à Acupuntura, visto que seus exames podem esclarecer o diagnóstico e descartar a possibilidade de um engano, no caso de o individuo apresentar uma doença mais grave como o câncer, por exemplo, e ainda reconhecer os resultados que a Acupuntura e a Fitoterapia Chinesa podem promover durante o tratamento.

    O assunto é vasto e outros cuidados sobre a nossa alimentação serão abordados em um próximo artigo.

    Cuidem-se sempre.

    Nossos desejos de saúde e longevidade a todos.

  • Pulsologia e a degustação de vinhos

    Ilustração milenar de terapeuta examinando o pulso do paciente
    Ilustração milenar de terapeuta examinando o pulso do paciente

    Luis Fernando Veríssimo escreveu certa vez que “já se disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer outro assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna.” Certamente ele não acrescentou a essa lista de exceções a pulsologia porque não conhece nada de Medicina Tradicional Chinesa.

    Já li, já tive e já dei aula de provavelmente todos os principais temas teóricos da MTC. Posso dizer com tranqüilidade que a análise do pulso é o tema mais controverso, mais misterioso e também sobre o qual já se disse um número incontável de divagações abstratas e imprecisas (ou melhor dizendo – bobagens). Pergunta o aflito aluno: “o que é um pulso Flutuante professor?” E o brilhante mestre responde do alto da sua profunda sabedoria: “é como sentir uma madeira boiando num riacho.” Simples assim. E o aluno acaba de desistir de usar a pulsologia na sua prática clínica, achando que é coisa de chinês maluco ou que só vai chegar nesse “nível” de compreensão nas próximas vidas.

    Há pouco tempo comecei a me interessar cada vez mais sobre vinhos. Mas confesso que esse universo me parecia dificílimo. Quando via o Renato Machado no programa “Mesa para Dois” falando sobre os vinhos e as suas harmonizações com a comida (e também contando o preço dos vinhos que estava degustando) pensava em desistir ou deixar para algumas encarnações vindouras. Mas dois fatos mudaram essa visão. Ganhei um ótimo livro da minha preciosa esposa chamado “Sem Segredos”, do Matt Skinner. Ele é sommelier dos restaurantes do famoso chef Jamie Oliver (que por sinal também me ajudou muito a desmitificar o mundo da gastronomia). E também passei a frequentar uma degustação de vinhos semanal numa adega perto de casa.

    vinhoMunido das informações do livro e do respaldo técnico dos freqüentadores mais experientes da degustação passei a me aventurar na análise dos vinhos. Posso dizer que em um mês tive uma evolução surpreendente, tanto pra mim, quando para os meus colegas de vinho, conseguindo até conversar bem razoavelmente (mas com muita humildade) com pessoas que tomam vinhos há trinta anos. Como isso foi possível? Porque a forma como se desenvolve a capacidade de se perceber as características de um vinho é exatamente igual à de ser capaz de detectar as diferenciações do pulso de um paciente.

    E essa chave na verdade é muito simples: você só é capaz de perceber, por exemplo, o que são os taninos de um vinho, se você for capaz, anteriormente, de descrever qual é a sensação dos taninos. Tornando ainda mais simples. Não adianta tanto você ficar tomando centenas de vinhos (e ficar muito pobre com esse processo) esperando que um dia, magicamente, e sem nenhuma ajuda, você passe a sentir os tais dos taninos. Agora, se alguma boa alma chega para você e lhe diz: os taninos de um vinho causam uma sensação de secura na boca, secando a saliva, como quando comemos uma banana verde. Fica bem mais fácil agora você perceber os taninos do próximo vinho que você for tomar, não? E agora, depois de uns três ou quatro vinhos ,você já será capaz de dizer qual apresenta mais taninos (pois seca mais a sua boca) do que o outro com menos. E isso funciona com todas as demais características do vinho, como acidez, amargor, ser redondo, etc…

    Da mesma forma, um terapeuta de Medicina Chinesa, só será capaz de sentir as características de um pulso se for capaz de descrevê-las. Por exemplo, o tal do pulso Flutuante: ele é um pulso sentido com mais intensidade e clareza no nível superficial do toque (no nível da pele) e que, ao se aprofundar a pressão, ele perde intensidade. Também fica mais fácil, não é?

    As correlações entre a degustação de vinhos e a análise da pulsologia na Medicina Chinesa não param por aí. Mas isso fica para um próximo post.

    Enquanto isso, recomendo irmos treinando com um Casa Lapostolle, da uva Merlot, 2006 ou 2007. Saúde!