Articles for agosto 2007

A Arte de Ouvir para um terapeuta da MTC

O ponto fundamental da Medicina Chinesa é o sucesso do tratamento. É a melhora da qualidade de vida da pessoa, independente de qual ferramenta terapêutica se pratique: acupuntura, fitoterapia, Tui Na ou Qi Gong. Mas para se chegar neste resultado um outro ponto é fundamental: o diagnóstico. Lembro aqui para os leigos que se trata do diagnóstico próprio da MTC.

A MTC tem uma característica interessante: algumas vezes o tratamento é mais simples de que o diagnóstico. Sabendo com clareza a raiz daquela desarmonia e o princípio de tratamento, toda a prática em si se torna mais fácil.

Para um diagnóstico perfeito é necessário unir-se os 4 Métodos clássicos de diagnóstico: a Observação, o Interrogatório, a Palpação e Olfação e a Auscultação.

Percebemos na prática clínica que o Interrogatório é o ponto que leva mais tempo e que muitas vezes é o ponto chave do Diagnóstico.

Mas para isso é necessário ouvir o paciente, obviamente. Mas aqui eu falo de realmente Ouvir.

Para o dianóstico é importante entender de fato o que ele está sentindo em todos os níveis: físicos, emocionais, intelectuais, sociais. E ainda “traduzir” essas informações para a forma de pensar da Medicina Chinesa.

Para ajudar-nos a ouvir deixo a todos um texto de Rubens Alves:

A Arte de Ouvir

“De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado:”No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era osilêncio.”

É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavrase meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdadedo outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Paraouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi,ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora alembro, faz-me chorar…”

A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suaspalavras. É nesse silêncio que seouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por nãohaver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por umfim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaiosobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras.

A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores. O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. Amenininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita…” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais. Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será queela ouve mesmo? Não sei… O que conta é que ela não interrompe a fala.

Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu…’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu…’Essa frase ‘é exatamente como eu…’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro…”Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca.

Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutarória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana”Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência.

A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche. Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação como falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar…”

Estudo explica a queda de câncer nos EUA – tratamento de menopausa pela MTC

A queda nas estatísticas de câncer de mama nos EUA não é fruto de exames preventivos, como se pensava, mas da queda na adesão à terapia de reposição hormonal, aponta um estudo da Universidade da Califórnia.

A pesquisa segue a linha de outras que tentaram explicar a queda abrupta nas estatísticas de câncer de mama entre 2003 e 2004.

A queda coincidiu com o declínio de terapias que associavam estrógeno com progesterona, combinação que pode favorecer o câncer. O estudo recomenda que as mulheres pós-menopausa recorram a terapias do tipo pelo período mais breve possível. Nós recomendamos terapias alternativas, no lugar desse tipo de tratamento que pode oferecer uma consequência tão complicada.

Pela visão da Medicina Tradicional Chinesa, os sintomas desagradáveis da menopausa e da pós-menopausa se devem ao enfraquecimento de Qi (energia) e Xue (Sangue), quando a idade se torna mais avançada, e também do enfraquecimento do canal Vaso Concepção e do canal Caso Penetrador (ligação com o canal do Rim).

Ainda há uma diferenciação entre menopausa tipo Yang, quando prevalecem os sintomas de calores, especialmente na cabeça e no rosto; e da menopausa tipo Yin, quando prevalecem o cansaço e a fraqueza. Os tratamentos mudam de acordo com essa diferenciação, usando-se alguns pontos de sedação no caso Yang, como o Xingjian F2 (somente 5 minutos) e Linqi VB41 e sangria em Dazhui VG14, VG15 e Fenchi VB20, além dos pontos de tonificação da energia Yin, do Qi e do Xue. Nos casos Yin dá-se mais ênfase na tonificação, pelos pontos: Shenshu B23, Shenmen C7, Taizhong F3, Taixi R3, Naiguan PC6, Zusanli E36 (ativa o Yang do corpo), Sanyinjiao BP6 e Xuehai BP10.

Uma excelente dica é para quando há calor no rosto: chá de folha de amora – 30 folhas p/ 1,5 litro de água, ferver durante 20min, tomar 3x ao dia. Os sintomas devem melhorar dentro de uma semana.

O que é Fitoterapia 中药?

Na história da evolução da Medicina Chinesa (中醫學), a Fitoterapia (中药) é a sua ramificação mais antiga, depois do Tui Na (推拿). Trata-se do uso de substâncias naturais, não processadas quimicamente, em sua maioria do reino vegetal, mas também do mineral e animal, com fins medicinais.

Praticamente todos os povos desenvolveram sua própria Fitoterapia nativa, como os índios brasileiros ou os egípcios. A fitoterapia chinesa é a mais vasta, complexa e antiga. Isso se deve ao seu contínuo e ininterrupto aperfeiçoamento desde tempos remotos até os dias de hoje. Huang Di (黃帝), o Imperador Amarelo, que reinou entre 2698 a.C. à 2599 a.C., e é o autor do 1º Tratado de MTC, o Nei Jing (内經), já discorria sobre a utilização de substâncias naturais para a manutenção e a recuperação da saúde do homem.

Há uma ligação muito importante entre o desenvolvimento da Fitoterapia chinesa e do Taoísmo. Uma das metas de vida de um taoísta sempre foi a saúde. Para isso, os mestres taoístas procuraram ao longo dos milênios formas de manter e recuperar a nossa saúde, assim como nos harmonizar com todos os aspectos da nossa vida, afim de prolongá-la e vivê-la de forma mais plena. Assim foram desenvolvidas as técnicas de Qi Gong, tratamentos de Acupuntura, ferramentas espirituais e também o “Caminho da Alquimia da Terra” como é chamada a Fitoterapia na tradição chinesa.

Atualmente, de todas as ramificações da Medicina Tradicional Chinesa, a Fitoterapia é a mais utilizada na China. Por outro lado no Brasil é a menos difundida, devido especialmente à dificuldade na obtenção das ervas e substâncias de origem chinesa. Já existem muitas ervas adaptadas no Brasil. Assim como o estudo de ervas nativas brasileiras, segundo à visão da MTC. Mas ainda os principais compostos dependem de substâncias tipicamente chinesas, devido ao seu tempo de estudo e experimentação. Mas isso vem melhorando nas últimas décadas, com mestres chineses difundindo a experiências na utilização dessas substâncias, como o nosso mestre Liu Chih Ming e também o acesso um pouco mais fácil dos materiais por farmácias e lojas especializadas, localizadas no bairro da Liberdade, em São Paulo.

O uso da Fitoterapia clinicamente é o que requer maiores estudos e cuidados por parte do terapeuta. Isso porque as substâncias serão ingeridas e terão sua ação diretamente nos órgãos vitais do paciente, diferentemente da Acupuntura, Tui Na e Qi Gong, que tem sua ação na superfície do corpo, mobilizando indiretamente, através dos canais de energia, os Órgãos e Vísceras (Zang Fu) do indivíduo.

Por outro lado a Fitoterapia permite uma velocidade e uma abrangências nos resultados terapêuticos maior do que todas as outras formas terapêuticas, conseguindo tratar patologias consideradas difíceis tanto pelo Acupuntura, tanto quanto pela medicina alopática.

É importante sempre consultar um Fitoterapeuta antes de tomar qualquer composto ou chá, mesmo que seja uma chá considerado “comum” pois ele pode proporcionar efeitos não desejados. Uma pessoa, por exemplo, com um padrão característico da MTC, chamado “Ascensão do Fogo do Fígado”, com sintomas como hipertensão arterial, dor de cabeça, insônia, irritabilidade, dor na região do hipocôndrio, não pode tomar compostos com alguns tipos de ginseng, especialmente os vermelhos, provenientes da China e da Coréia, pois piorarão seu quadro.

Seminário “Kokyu-Ho – O Poder da Energia Interna” com Ono Sensei

Pela visão da Medicina Chinesa só possuimos duas formas de obter energia: pela alimentação e pelo ar que respiramos. Da nossa alimentação podemos cuidar diariamente e aqui no blog mesmo informamos sobre algumas dicas de como ter uma alimentação adequada e cheia de energia. Mas e sobre a energia do ar, o que podemos fazer para potencializá-la, melhorando a nossa saúde? Os mestres orientais de todas as linhagens indicam os trabalhos energéticos, como o Qi Gong, que inclusive faz parte da Medicina Chinesa.

O método de trabalho energético que pratico é o “Kokyu-Ho”. É uma técnica japonesa trazida e desenvolvida no Brasil pelo meu mestre de Aikido, Ono Sensei (foto ao lado). Ono Sensei é uma lenda dentro do mundo das artes marciais, por vários motivos: seu tempo de prática e lecionando (mais de 40 anos), sua pesquisa constante do desenvolvimento da energia interna (Ki, em japonês) e sua utilização no Aikido, como sua sabedoria que consegue transmitir a todo momento, como também pela sua vitalidade. Com 82 anos, ontem mesmo tive uma aula de 4 horas seguidas com meu mestre. Posso dizer tranquilamente que Ono Sensei foi parte fundamental na transformação da minha vida para uma qualidade de vida e um aperfeiçoamento espiritual superiores.

Pela primeira vez Ono Sensei dará um curso aberto sobre suas pesquisas na área energética. Acredito que vale a pena para todo mundo, especialmente para os praticantes da Medicina Chinesa, por ser imprescindível para todos os terapêutas terem uma técnica de reposição de energia. Abaixo segue a divulgação oficial do evento.
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Mestre único na América Latina, Ono Shihan, irá mostrar pela primeira vez, fora do espaço de treinamento dos seus alunos, parte dos resultados de mais de 40 anos de pesquisas no uso da energia pessoal interna (Ki) para o equilíbrio e auto controle físico e emocional, por meio do Kokyu-ho (respiração).

A energia pode movimentar pessoas à distância, paralisar movimentos de oponentes e conduzir o outro sem violência. O poder da energia se superpõe à força e a sua fonte é inesgotável.
Qualquer pessoa tem acesso a ela e pode utilizá-la em benefício pessoal e em favor das outras pessoas.Kokyu-ho é o caminho da Unidade que não passa pelo choque, pelo conflito.

Quando:dia 25 de agosto – sábado
Horário: 10h30 – 12h30 – ensinamentos12h30 – 14h – almoço14h – 16h30 – ensinamentos
Local: Hotel Golden Tulip Plaza – Alameda Santos, 85
Estacionamento e almoço disponíveis no local.paulistaplaza@paulistaplaza.com.br / http://www.paulistaplaza.com.br/

Investimento:R$150,00 ( cento e cinqüenta reais)

Inscrições: Carolina Zanqueta – 9h/17h – fone: 11 2167-5811 mailto:carol.zanqueta@curadoeassociados.com.br
Os ensinamentos de Ono Shihan

O que é

Programa de reconhecimento e de treinamento da energia interna que todos possuímos, cuja força e capacidade de transformação são inesgotáveis.
Como

Técnicas que facilitam o acolhimento e a unificação com a outra pessoa e com o Universo por meio do relaxamento e da respiração.

Para que

No nível individual facilita o desenvolvimento do equilíbrio emocional e físico e no nível social estimula e fortalece as soluções pacíficas e harmoniosas para o convívio entre as pessoas.

Para quem

• Pessoas que descobriram o esgotamento do uso da força e da imposição como meios eficientes para a obtenção de transformações profundas em indivíduos e nas organizações.

• Terapeutas facilitadores de indivíduos e de organizações na busca do equilíbrio emocional, psicológico, bem estar pessoal e social.

Kenji Ono, ou Keizen Ono Shihan, o Ono Sensei nasceu em 1º de outubro de 1925 em Tóquio, Japão e chegou ao Brasil em 27 de julho de 1934, no porto de Santos. Treinou Judô até obter o grau de Shodan (faixa preta). Em 1963 iniciou o treinamento de Aikido com Kawai Sensei, mestre que trouxe a arte para o Brasil. Começou a ensinar Aikido em 1966. Fundou a Associação Pesquisa de Aikido -APA, (http://www.aikidopesquisa.com.br/) parte da Confederação Sul-americana da Arte Aikido, ligada à Fundação Aikikai do Japão. Atualmente, existem dojos (academias) filiadas em São Paulo capital, Jundiaí, Espírito Santo (Vitória e Vila Velha), no Paraná (Londrina) e no Rio de Janeiro (Campos). Ono Sensei, é Acupunturista e Shiatsu terapeuta.

Aikido é um arte marcial japonesa criada durante os anos de 1920 pelo Fundador Morihei Ueshiba, um mestre que alcançou o mais elevado grau de maestria nas artes marciais japonesas. Como arte marcial pura o Aikido visa a unificação do corpo e dos sentimentos.